• Homepage
    • Quem Somos
    • Colaboradores
  • Dossier
    • Raoul Walsh, Herói Esquecido
    • Os Filhos de Bénard
    • Na Presença dos Palhaços
    • E elas criaram cinema
    • Hollywood Clássica: Outros Heróis
    • Godard, Livro Aberto
    • 5 Sentidos (+ 1)
    • Amizade (com Estado da Arte)
    • Fotograma, Meu Amor
    • Diálogos (com Estado da Arte)
  • Críticas
    • Cinema em Casa
    • Em Sala
    • Noutras Salas
    • Raridades
    • Recuperados
    • Sem Sala
  • Em Foco
    • Comprimidos Cinéfilos
    • Divulgação
    • In Memoriam
    • Melhores do Ano
    • Palatorium Walshiano
    • Passatempos
    • Recortes do Cinema
  • Crónicas
    • Do álbum que me coube em sorte
    • Filmes nas aulas, filmes nas mãos
    • Nos Confins do Cinema
    • Recordações da casa de Alpendre
    • Week-End
    • Arquivo
      • Civic TV
      • Constelações Fílmicas
      • Contos do Arquivo
      • Ecstasy of Gold
      • Em Série
      • «Entre Parêntesis»
      • Ficheiros Secretos do Cinema Português
      • Filmado Tangente
      • I WISH I HAD SOMEONE ELSE’S FACE
      • O Movimento Perpétuo
      • Raccords do Algoritmo
      • Ramalhetes
      • Retratos de Projecção
      • Se Confinado Um Espectador
      • Simulacros
      • Sometimes I Wish We Were an Eagle
  • Contra-campo
    • Body Double
    • Caderneta de Cromos
    • Conversas à Pala
    • Crítica Epistolar
    • Estados Gerais
    • Filme Falado
    • Filmes Fetiche
    • Steal a Still
    • Vai~e~Vem
    • Arquivo
      • Actualidades
      • Estado da Arte
      • Cadáver Esquisito
      • Sopa de Planos
  • Entrevistas
  • Festivais
    • Córtex
    • Curtas Vila do Conde
    • DocLisboa
    • Doc’s Kingdom
    • FEST
    • Festa do Cinema Chinês
    • FESTin
    • Festival de Cinema Argentino
    • Frames Portuguese Film Festival
    • Harvard na Gulbenkian
    • IndieLisboa
    • LEFFEST
    • MONSTRA
    • MOTELx
    • New Horizons
    • Olhares do Mediterrâneo – Cinema no Feminino
    • Panorama
    • Porto/Post/Doc
    • QueerLisboa
  • Acção!
À pala de Walsh
Crónicas, O Movimento Perpétuo 0

A vida imaginada

De Francisco Valente · Em Junho 11, 2014

Ontem, à hora em que escrevo estas palavras, os meus olhos encontravam-se mergulhados na exposição O Museu Imaginário de Henri Langlois, apresentada na Cinemateca Francesa. No mês em que este site homenageia a herança de João Bénard da Costa, falar de Langlois e da sua importância não estará muito longe.

Penso no que teria sido o mundo sem Langlois, aquele que, com os seus olhos, viu que as películas de filme não eram imagens para se deitar ao lixo, tal como os seus estúdios faziam, mas destinadas a serem mostradas ao mundo para sempre. Alguém que viu, no cinema, a possibilidade pela qual o homem tanto ansiava: criar algo próximo do sonho, reproduzir o tempo, estendê-lo, cortá-lo, entregá-lo à capacidade infinita dos nossos sentimentos. Teríamos perdido muitas obras-primas mas, sobretudo, teríamos perdido os nossos sonhos, a nossa imaginação, esse espelho que nos diz que tudo aquilo que vimos a vinte e quatro imagens por segundo, numa sala escura, estava afinal escondido em nós, homens e mulheres maiores que os seus corpos, destinados a amarem-se na projecção de sentimentos maiores do que o que existe a olho nu.

Lembro-me de quando entrei na Cinemateca Portuguesa pela primeira vez, aos dezoito anos, e vi uma projecção de Cléo de 5 à 7 (Duas Horas da Vida de Uma Mulher, 1962) de Agnès Varda, ainda no Palácio Foz (estava a Barata Salgueiro em obras de renovação), uma sala que me transportava, pela sua época, e no meu imaginário, a essa outra que tinha existido em Paris, berço da cinefilia e do cinema da geração de Varda. O meu percurso na Cinemateca era feito do cruzamento entre ciclos: raramente vê-los de forma integral (com algumas excepções próximas do meu coração) e cruzar os seus filmes, as suas épocas, os silêncios e cores. Um pouco como Langlois dizia para fazer, estabelecendo pontes entre obras que, à partida, seriam opostas, mas que, por serem humanas e olhavam de volta para o mundo, encontravam os seus pontos comuns. O maior deles todos éramos nós – os espectadores. A história do cinema, por sua vez, era também a nossa história do cinema, a única que existia.

Se tinha sido Langlois a puxar por esse imaginário, eram as folhas de Bénard da Costa, à saída de cada sessão, que me fizeram entender que os nossos olhares nunca estão sozinhos – enriquecem-se sempre com o outro. As suas palavras, por vezes, faziam-me ver filmes que não tinha visto dentro da sala. Outras vezes, pegavam num ponto, numa emoção, e faziam-me crer que tudo no filme girava à sua volta. E sobretudo, entender os pequenos detalhes, as imperceptíveis ligações entre tudo o que era filmado – pois é neles que se revela a existência do que é divino e invisível aos olhos.

O que teria sido sem essas palavras, sem esse veículo que prolongava o meu olhar para fora da sala de cinema e me fazia ver a realidade sob o seu movimento? Certamente me teria apaixonado menos vezes na sala ou amado ainda menos fora dela. Era um tempo sem tempo: uma infância dentro da idade adulta, uma inocência eterna dentro de uma descoberta sexual. Todos os passos feitos dentro da Cinemateca, todas as palavras lidas nas folhas de Bénard tinham o seu elo com o que existia na rua e dentro das suas casas. Mais do que uma forma de ver o mundo, uma forma de estar nele por descobrir, em mim, essa capacidade de ver para além do olho nu. 

Passados vários anos, ainda tento responder a esse movimento perpétuo, criado a partir de cada palavra lida e cada imagem vista. Play it again, Sam. Esse amor nunca se esquece.

Esta é a última crónica do Movimento Perpétuo. Agradeço a todos os que acompanharam as suas palavras.

Partilhar isto:

  • Twitter
  • Facebook
Agnès VardaHenri LangloisJoão Bénard da Costa

Francisco Valente

Artigos relacionados

  • Crónicas

    ‘The atrocity exhibition’

  • Crónicas

    Desenho a lume, se me perguntam

  • Crónicas

    Três viagens ao cinema de Sion Sono

Sem Comentários

Deixe uma resposta

Tem de iniciar a sessão para publicar um comentário.

Últimas

  • Body Double #4: Jorge Molder

    Agosto 1, 2022
  • “Estrada Fora”: ‘a car of one’s own’

    Agosto 1, 2022
  • ‘The atrocity exhibition’

    Julho 31, 2022
  • Vai~e~Vem #46: semiótica da cozinha: telas de degustação

    Julho 30, 2022
  • Palatorium e comprimidos cinéfilos: Julho

    Julho 29, 2022
  • “Sundown”: o último Verão

    Julho 28, 2022
  • “Opening Night”: duas horas (e meia) na vida de uma mulher

    Julho 27, 2022
  • Vai~e~Vem #45: espectros e máquinas de visão

    Julho 26, 2022
  • Travis no cinema ou Kim Min-hee no deserto

    Julho 25, 2022
  • “Ce Sentiment de L’Été”: uma sinfonia solar

    Julho 24, 2022

  • Quem Somos
  • Colaboradores
  • Newsletter

À Pala de Walsh

No À pala de Walsh, cometemos a imprudência dos que esculpem sobre teatro e pintam sobre literatura. Escrevemos sobre cinema.

Críticas a filmes, crónicas, entrevistas e (outras) brincadeiras cinéfilas.

apaladewalsh@gmail.com

Últimas

  • Body Double #4: Jorge Molder

    Agosto 1, 2022
  • “Estrada Fora”: ‘a car of one’s own’

    Agosto 1, 2022
  • ‘The atrocity exhibition’

    Julho 31, 2022
  • Vai~e~Vem #46: semiótica da cozinha: telas de degustação

    Julho 30, 2022
  • Palatorium e comprimidos cinéfilos: Julho

    Julho 29, 2022

Etiquetas

2010's Alfred Hitchcock Clint Eastwood François Truffaut Fritz Lang Jean-Luc Godard John Ford João Bénard da Costa Manoel de Oliveira Martin Scorsese Orson Welles Pedro Costa Robert Bresson Roberto Rossellini

Categorias

Arquivo

Pesquisar

© 2021 À pala de Walsh. Todos os direitos reservados.